September 1, 2007...19:38

As Orkutianas

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Na sexta-feira passada um lapso me fez escrever uma pequena coleção de poemas sobre a as peripécias da vida “orkutiana.” Dedico essa coleção à minha amiga Júlia Saad, que presenciou (se é que é possível se presenciar alguma coisa pelo Orkut) o nascimento de tais poeminhas.   

I.

a felicidade que emana

das coisas simples da vida

me levam

me deixam

a rir:

que comunidade inútil.

II.

O perfil daquele ser,

desconhecido,

é muito constrangedor;

faz-me corar:

cadê o pudor?

Vou-lhe deixar

um scrap comprometedor.

III.

Naquele dia,

acordei com o pé esquerdo.

Quando fui checar o meu orkut,

nenhum scrap novo havia sido escrito.

IV.

scraps.

quando não são muitos,

são poucos.

V.

- Queres ser minha amiga?

Perguntou-lhe o lobo-mau.

- Quero.

Respondeu chapéuzinho.

Ninguém notou as manchas de sangue

na graciosa capa vermelha.

VI.

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João fuçou no orkut de Raimundo,

com ciúmes por causa dos scraps que Tereza lhe mandara.

Tereza fez o mesmo com Maria por causa de Joaquim.

Joaquim desativou o indentificador de visitas;

e Lili, saiu do orkut e virou alguém importante.

VII.

As orkutianas

te adicionam sem parar.

Não. Não as conheço - 

você pode afirmar.

Mesmo assim, elas continuam

a te incomodar.

VIII.

- É uma competição.

Dizem.

E assim,

cada vez mais

amigos fazem.

Amigos.

Será?

IX.

Imagens.

Fotos.

Alter-egos.

X.

As mensagens.

Não. Não as leio.

Entopem minha caixa de entrada.

É curioso notar:

o Orkut não as sabe contar.

XI.

No dia em que entrei,

parecia uma maravilha.

Quantas comunidades!

A todas me unia.

Até que de repente

minha vida estagnou.

- Culpa do orkut.

Me disseram.

E desde então,

pensando estou.

- Quando sairás do orkut?

Um dia.

 

 

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As Orkutianas by Cléderson Perez is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Brazil License.

 

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